18 novembro 2011

Sorriam.


Todos estão esperando que me entregue. Não vou fazer isso. Prefiro morrer por minhas mãos. Estão levando tudo de mim. Minha alma. Não terei mais uma quando vierem. Devoro eu mesma minhas emoções. Mais ninguém.
As pessoas são todas tolas, não são?! Todas em busca de poder. O topo da pirâmide. E é por isso que leem o que escrevo. Coloco nas palavras a minha dor, minha impotência. Deleitam-se com isso. Sentem-se poderosas. Melhores. Por vezes, sentem-se acompanhadas nessa merda de vida. Olhem!
A arte destrói as pessoas. Acaba com elas. Por isso apreciam-na tanto. Arte é angustia. Lamentação. Fadiga. Medo. Submissão. Como somos todos arcaicos! Aplaudam! Vamos lá! Todos são artistas. Ninguém é feliz. Ninguém.
Alguns brincam de representar a vida toda. Todos se sentem especiais. Grandes líderes. Hiper valorizam seus talentos. Sua presença. Mas o que ninguém admite é que nada é insubstituível. Nada.
Nada.
Nada.
Mesmo assim não deixarei que tirem de mim o que tenho. Minha alma. Pobre, fétida, podre, solitária. Não importa. Não deixarei que substituam-na. Não! NÃO!
E sim, fiquem preocupados com a entrada no céu. Pra quem acredita num céu afinal. Porque todos são ladrões, mentirosos, corruptos, inescrupulosos.  Até mesmo você Josh. Você que é minha razão personificada. Minha ancora no mundo desses mortos vivos.   
  

10 novembro 2011

AMO...


Demasiadamente amo. Amo quem está aqui e ali... Amo a inconsequente razão de amar; a aflição e o aperto no peito; o respeito e a devoção. Sim, amo muitas coisas. E muitas “coisas” me amam também. Aprecio, deleito-me com isso. É doce, é cruel, é razoável, ou nada feito. Esse é o amor.
Quando pequena uma vez comparei o amor à um caju. Um daqueles poucos que estão vermelhos e convidativos e cheios de vida; porém quando postos na boca... Apertam; apertam; gritam vitória: “Enganei você!”. Comi caju só uma vez na vida, e o bendito nunca mais saiu da minha cabeça. Dentre todas as frutas daquela árvore eu o escolhi. Ali, sozinho, difícil de pegar, majestoso e belo. Nunca mais esqueci. Comi caju uma única vez, nunca mais esqueci. E com o amor acontece o mesmo. Uma única vez e... Esmaga seus sentidos, bloqueia sua fala; atormenta sua consciência e você diz: “Por quê? Eu nem estava com fome, nem nada.” Curiosidade. Plena e arrogante curiosidade. Aí você olha para suas mãos lambuzadas, enruga a testa e nada mais faz sentido. Sim,eu amo muitas coisas. E prefiro pensar que muitas “coisas” me amam também. Só não achei o sentido nisso ainda.