19 junho 2019



Acho que estou morta. Vivo como se estivesse.
É tudo muito quieto neste mundo de cá... Há pouca cor e pouco barulho... Há pouco de tudo.
Partes de mim se perderam também.
Mas como aqui tudo vale tão pouco... Pouco importa o que continua inteiro e o que se foi.
Acho que me fui.
 Fui embora de mim.
Ah! Que lugar quente e bucólico... Que abraço manhoso...
Abraço de eu.. Para mim.
É, acho que estou morta.. Neste oco na alma... Não para pessoa inteira... Não há mais eira, nem beira.
 Não há telhado. Ou laje... Parede. Só o vento fresco, o chão rijo...
Estou indo... E tem horas que já fui.
Ou estou morta... Ou morri.



Estou vendo você. Talvez você não tenha percebido ainda... Mas eu estou aqui. Parada. Braços abertos. Olhando e esperando você.
Não grite, não chore, não adoeça. Ou faça tudo isso! Mas faça porque foi inevitável, não por uma livre escolha.
Estou aqui e só o que vejo é uma mulher sozinha pedindo socorro pros céus e torcendo por um futuro melhor.  Vejo uma mulher com os olhos lacrimejando e a boca aberta... Essa mulher não chora... Sorri.
Você sorri desesperada.
Hey! Eu estou aqui.
SORORIDADE. AMIZADE.
Estou aqui.
Não perca seus amigos para o silêncio. Não se perca para o barulho. O tempo foi cruel... Os amores... Tóxicos. Mas você está aí agora. Aí... Há alguns passos de mim...
Minhas mãos estão estendidas, os dedos balançando... Esperando.
Por favor... Olhe pra mim também. Quem sabe juntas... Estaremos ali... Estaremos acolá... Estaremos além.