06 dezembro 2011

Começo



Não sei por que leio. No fim de cada livro, sinto-me só. Uma parte de mim acaba, e nada mais é real o bastante. Nostálgica, amedrontada... Preenchida. Isso mesmo; preenchida. Mas de que?! No fim, escreve-se “fim” e pronto. Pronto: já sou outra pessoa. Um bocado de coisa faz sentido(?) e eu fico ali olhando a tela apagar e pensando: “Poxa. Eu não devia continuar fazendo isso. Machuca.” Mas eu continuo. Dilacero minha alma inocente e firo uma porção de ignorância enraizada. Continuo passando as páginas e fazendo correr as letras. Matando a quem conhecia e dando a luz uma nova história.
Não li nem uma fração ínfima do que sugerem os intelectuais. Não li receitas o suficiente para aprender a cozinhar. Não li os irmãos Grimm, nem coleção Vaga lume o bastante pra esperar um final feliz. Não.
Mesmo assim... Mesmo assim estou sobrecarregada.
Um dia desses, sentada na ultima mesa da biblioteca com um livro na mão levantei o olhar; fiquei encarando as prateleiras. Aquela imensidão de códigos e códigos presos berrava no silêncio. Vi de uma maneira bem esquisita um cemitério. Percebi então que aquilo não passava de uma grande tumba de mortos vivos achatados e com as bocas enferrujadas. Naquele dia, a biblioteca era uma sinfonia clássica de morte e medo.
“Olá! Ouçam!”
Ninguém parecia ouvi-los.
Mas eu acho que entendo o por que. É pelo mesmo motivo que eu às vezes fecho um livro antes do fim. É porque o fim é algo íntimo demais pra compartilhar com alguém. O mundo pode estar ali, dando inúmeras possibilidades, mas é só você quem pode ser o fim. Você é quem é; e o “fim” é um resumo de tudo isso.
Quando era pequena vivia ouvindo histórias incompletas e ouvindo música pela metade. Ficava brava. Hoje, é apenas mais um sonho. E é sonho mesmo. No literal e tudo o mais. Quando alguém é capaz de me preencher, eu sonho. Fico noites seguidas acordando durante a madrugada só em busca de uma solução. Devo mesmo ser filha da “Interatividade”, mas o fim... Só pertence a quem alcança. Ninguém pode ouvir se tapa os ouvidos, ninguém pode escolher, quando é escolhido. E é o fim.
Josh; estou preenchida hoje. E louvo você. Glorifico seus alicerces torpes e sua mão calejada. Seu olhar incerto. Obrigada. 

Um pedacinho...

Muito certo.


"Lição: É muito simples fazer que um homem a queira e a deseje. Não o queira nem o deseje. Os homens amam as cadelas. As garotas boas vão para o céu, as más gozam na Terra. " (Lições de uma cortesã)

05 dezembro 2011

Hein?



_QUEIME.


Tudo que acaba, começa (?). Com o espirito leve e renovado abraçou seu pequeno corpo e cantarolou a velha canção mais uma vez. Num ímpeto de amor divino, correu as pontas dos dedos ao redor da frágil cabeça e dos cabelos escuros e embaraçados. O fim estava longe.... E por mais que ansiasse, sabia que implorar não adiantaria nada.  
Ninguém atenderia ao pedido de uma débil figura de três metros e trinta de altura. O mundo, imundo como o era, pregava peças horrendas em quem corria tão lentamente. Sua pernas, por menores que fossem, ainda carregavam carne e matéria. Carregavam um resquício de outras coisas. Então; por quê? Não pedia muito afinal... Só o fim. Por que não o escreviam de uma vez? Já aprendera o que era o amor.  Vivera amando as coisas de grande figura. Amava até a própria figura desforme. Ali, correndo as mãos pelos próprios cabelos continuou sentada.... Estava acertado. Agora, era só esperar que a piedade encontrasse o destino e juntos, dessem um fim apropriado a tudo aquilo. Digno de seu começo... 
_QUEIMA!

01 dezembro 2011

(...)


Não. Infelizmente não sou corajosa. Deixo-me levar. E isso é covardia.
Fico ali; inerte. À mercê. Obedeço. Sou bastante obediente.
 Mesmo assim não gosto de ser comparada à “Poliana”. Não gosto mesmo. Sinto-me ultrajada.
 Mas nunca digo nada. É mais fácil e menos doloroso assim. É o que esperam afinal.
Sim, dificilmente choro. Não se iluda. Não é força.  As pessoas só choram quando se sentem frustradas. Não, não choram por dor, amor, ou qualquer banalidade dessas. E eu não quero mais nada. Verdadeiramente não espero mais. Esperança é lastimavelmente uma mentira. Só isso.
As dores?! Ora, dor é apenas um lembrete de que somos frágeis. E pelo que sei, os mais fracos são massacrados. Deixados para morrer pelo resto. E sou covarde demais para admitir a morte. Muito.
Então, não diga que sou corajosa Josh. Isso me faz sentir culpada. Sinto remorso por saber mentir tão bem assim. Por deixar que acreditem que sou valente.
O que acontece é que não à escolha. Apenas viver.

18 novembro 2011

Sorriam.


Todos estão esperando que me entregue. Não vou fazer isso. Prefiro morrer por minhas mãos. Estão levando tudo de mim. Minha alma. Não terei mais uma quando vierem. Devoro eu mesma minhas emoções. Mais ninguém.
As pessoas são todas tolas, não são?! Todas em busca de poder. O topo da pirâmide. E é por isso que leem o que escrevo. Coloco nas palavras a minha dor, minha impotência. Deleitam-se com isso. Sentem-se poderosas. Melhores. Por vezes, sentem-se acompanhadas nessa merda de vida. Olhem!
A arte destrói as pessoas. Acaba com elas. Por isso apreciam-na tanto. Arte é angustia. Lamentação. Fadiga. Medo. Submissão. Como somos todos arcaicos! Aplaudam! Vamos lá! Todos são artistas. Ninguém é feliz. Ninguém.
Alguns brincam de representar a vida toda. Todos se sentem especiais. Grandes líderes. Hiper valorizam seus talentos. Sua presença. Mas o que ninguém admite é que nada é insubstituível. Nada.
Nada.
Nada.
Mesmo assim não deixarei que tirem de mim o que tenho. Minha alma. Pobre, fétida, podre, solitária. Não importa. Não deixarei que substituam-na. Não! NÃO!
E sim, fiquem preocupados com a entrada no céu. Pra quem acredita num céu afinal. Porque todos são ladrões, mentirosos, corruptos, inescrupulosos.  Até mesmo você Josh. Você que é minha razão personificada. Minha ancora no mundo desses mortos vivos.   
  

10 novembro 2011

AMO...


Demasiadamente amo. Amo quem está aqui e ali... Amo a inconsequente razão de amar; a aflição e o aperto no peito; o respeito e a devoção. Sim, amo muitas coisas. E muitas “coisas” me amam também. Aprecio, deleito-me com isso. É doce, é cruel, é razoável, ou nada feito. Esse é o amor.
Quando pequena uma vez comparei o amor à um caju. Um daqueles poucos que estão vermelhos e convidativos e cheios de vida; porém quando postos na boca... Apertam; apertam; gritam vitória: “Enganei você!”. Comi caju só uma vez na vida, e o bendito nunca mais saiu da minha cabeça. Dentre todas as frutas daquela árvore eu o escolhi. Ali, sozinho, difícil de pegar, majestoso e belo. Nunca mais esqueci. Comi caju uma única vez, nunca mais esqueci. E com o amor acontece o mesmo. Uma única vez e... Esmaga seus sentidos, bloqueia sua fala; atormenta sua consciência e você diz: “Por quê? Eu nem estava com fome, nem nada.” Curiosidade. Plena e arrogante curiosidade. Aí você olha para suas mãos lambuzadas, enruga a testa e nada mais faz sentido. Sim,eu amo muitas coisas. E prefiro pensar que muitas “coisas” me amam também. Só não achei o sentido nisso ainda.  

23 outubro 2011

Um dia do meio.

É engraçado reler postagens antigas (Uns dias apenas). Fui eu mesma quem escreveu aquilo? Eu realmente estava tão triste? Ou tão feliz? Tão louca?!
(Riso)
Apesar do que aconteceu, sinto-me plena agora. Tudo parece tão claro no final.... Quando será o meu final, hein?!
Não importa agora; ou eu acho que não importa, mas não há problema. Hoje é dia de rir um pouco e fazer umas rimas... é dia de ler e revisar um livro. É pecar. Hoje é dia de extrapolar e tremer...

20 outubro 2011

Já é de manhã...

Agora mesmo você deve estra me achado bipolar Josh. Postei de tudo um pouco num único dia. Não se preocupe. O que fiz foi escrever no calor do momento. Escrevi em meio as lágrimas e fugi delas por uns instantes, mas o fim do dia não foi bom ontem. 
Acho as vezes que estou enlouquecendo. Mas aí olho pros lados. Estão todos loucos. Insanos desvairados... Sou mais inclusa nesse mundo do que deveria. (Riso)
Mas o dia já amanheceu e o sono é o melhor remédio.
Obrigada por não ter ido muito longe Josh. Amo estar viva. Você sabe... Todos devem saber na verdade. Não faço segredo disso.
Uma vez li num desses testes no Facebook que na vida passada fui uma ostra... (Riso) Isso mesmo, uma ostra. Enquanto minha amigas haviam sido camponesas ou bruxas, fui ostra. A justificativa foi algo como: "Essa sua felicidade extrema e sua inabilidade em lidar com as emoções acontece porque você está aprendendo tudo. Está sempre alegre e animada. A perspectiva de evoluir tanto te faz vibrar"... (Riso) Viu só?! (Riso) 
Não se preocupe Josh. Se continuar nesse embalo, em umas três vidas mais estarei na sétima dimensão... (RISO)
Obrigada mais uma vez. 


19 outubro 2011

Sim, eu choro. Mas as lágrimas são minhas...


Oh sim... Posso não ser tão rápida, sensata ou ousada. Oh... Mas sou eu quem devia me incomodar com isso. Se você se incomoda comigo, saia de perto. Suma... Não é preciso nem mesmo ir muito longe, não o verei de qualquer jeito.
Só não fira o meu orgulho. Porque eu já tenho que aturar você todos os dias e isso não é fácil.
Oh... A Jéssica não vê tudo o que deveria. Ela é cheia de sorrisos e está sempre disposta a dizer o que os outros querem ouvir. Pois bem, vou contar um segredo: NÃO FAÇO ISSO POR QUE QUERO!
Só sou sorrisos  porque preciso da sua atenção. Sei, isso é humilhante. Completamente. Mas eu nunca sei quando a próxima escada vai me derrubar. Se eu choro não é por dor, é por humilhação. A dor é fácil de suportar.  Oh... Eu trocaria muito de mim mesma para ser suficiente. É por isso que tenho tanto medo de me frustrar.
Não sou um objeto no qual você desconta sua raiva e do qual você ri nos momentos de lazer. Sou emoção. Alguém alguma vez já me viu?! Será que alguém alguma vez já fez questão de me ver?!
Na maior parte do tempo sou obrigada a me calar. Ainda ME CALAM!
Poxa vida, será que ninguém pode não ter pena por um momento?! Alguém pode ver que a menina viciada em livros e escola só o é por falta de opção?!
Não quero ter que acertar sempre.
Não quero mais tantas luzes sobre mim, muito menos um novo diagnostico. Só quero ver. Só quero ser vista ... Ser entendida um pouco mais.... Só um pouco.
E as lágrimas de agora? Oras, não há problema, com certeza outras virão para substituí-las num futuro próximo e provavelmente meu orgulho não deixará que ninguém as veja como sempre fez.


Primeiros cliques:






Muito ainda precisa ser melhorado e aprendido. Mas e daí?! Descobri-me mandona e bipolar, pois já estou rindo... Obrigada por estar tão longe Josh. Ou não. Aliás, se você soubesse o quanto não gosto da palavra "pois"... (riso)


Maquiagem: Janaina 
Modelo: Méry

PS: Revendo meu arquivo vi umas criaturinha lindas que posaram pra mim pela primeira vez. Obriga Zé e Theo; aquele foi outro dia mágico.



Volte...


Quer saber mesmo?! Vá pro inferno! Alias, deixe-me em paz aqui e suma. Definhe aos poucos, e não olhe pra trás. Sim, estou com raiva. E muita. Ahh!
Se não é pra estar aqui, não ligue. Não escreva. Esqueça o Face, o Orkut, MSN, Twitter e o diabo a quatro.
Só quero um pouquinho de paz. Não quero esse aperto no coração, muito menos esse olhar pidão. Não. Não! NÃO!
Porque você não está aqui em Josh?! Por que? Poxa, eu confiei em você. Minha razão é sua. Minha coragem está em você. Sempre.
Você não sabe mais o caminho? Ah Josh... Não faça isso. Meu peito está apertado e minha alma pesada. E não é você quem carrego. Como gostaria que fosse. Mas e você Josh? Volte logo, ok?! Por favor, eu imploro. Só não me deixe aqui sozinha mais um minuto sequer.
Tornei-me presa de mim mesma. Carne fétida e abandante. Mente errante e medrosa.
Não me abandome em nome dum sonho passado (futuro). Estou com tanto medo. Medo de estar perdida e medo de ser achada. Socorro Josh... Por favor.

12 outubro 2011

Um pedacinho....


QUE QUE LI JUNTO DA NANA...


"Eu acho que é uma coisa biológica. A paixão deve ser proporcional à quantidade de esperma acumulado. Quando a gente fica muito tempo sem mulher, acaba se apaixonando. Aí, quando o esperma começa a diminuir, diminui a paixão! É! Deve ser isso! Amor... Amor é a quantidade de esperma acumulado.."

09 outubro 2011

Felicidade espontânea?!




Estou celebrando a vida Josh. A minha vida. Sabe, fazendo um balanço geral, descobri que sou uma boa amante. Existe algo melhor do que o amor?! Ah Josh... Amo ser quem sou. Essa menina irresponsável e conflituosa. Gosto de mim, do meu cabelo armado, da minha boca pequena, das minhas tentativas de piada, dos meus sonhos... Orgulho-me disso na maior parte do tempo.
Meus amigos, minha família... Ah... É tão bom tudo isso que a vida é.
E sim, o medo e os “problemas” continuam aqui. Mas é daí ?! (RS) Estou tão contente Josh. Não estou me importando se vou ou não chegar lá...  Estou sentido... A balada da música, a massa de ar pesado me prendendo ao chão, o suor, o abraço mal dado, essas falhas tentativas... Essas letras, esse poder... Essa vida! Estou sentindo o cheiro do medo e minhas entranhas estão gritando cace! Sentindo... Estou sentindo, e isso é fantástico.
                Acho que ando agradecendo demais ultimamente...  Será que existe alguma coisa de errado nisso?! Não sei. Mesmo assim, obrigada. OBRIGADA! OBRIGADA!
Ah... Amo que você esteja aqui, amo ser grata á vida... Amo.
Assim como você é uma parte de mim Josh, você é a soma de muitas partes mais. Uma parte risonha e corada de todo mundo. Você Josh é um pouco de irmão, primo e vizinho. Você Josh só é forte no meio de um montão de gente, e eu também sou grata a isso.
É; acho que crescer é inevitável... Obrigada.

UM PEDACINHO...



QUE FEZ MUITO SENTIDO:


“Estou cansada de viver como se já fosse uma pessoa adulta e madura. Gostaria de voltar a ser criança – uma garotinha de seis anos que caiu da bicicleta. Gostaria de fazer cara de choro e correr aos berros para a cozinha, onde minha mãe me ergueria do chão, me daria um forte abraço e beijaria meu joelho esfolado. Eu pararia de chorar e tomaria leite com chocolate para a dor passar.
Essa é uma das coisas que as pessoas não nos ensinam quando falam de crescer: como lidar com as dores que não passam com um beijo. " (Soul Love- Á noite o céu é perfeito!)



25 setembro 2011

Mais uma vez...

Josh, ontem vi uma estrela. Uma daquelas de cinema hollywoodiano . Foi mágico e assustador.                   
Ver aqueles olhos tão expressivos, aquelas lagrimas recolhidas, aquele sorriso, toda aquela aspereza; foi fantástico. Incrível.
Senti-me como uma mãe zeladora. Uma irmã orgulhosa. Telespectadora.
Ontem reconheci uma alma perdida. Vi medos... Foram tantos. Alguns, representação de personagem; outros, reais. Daqueles de carne. Aquelas que cortam a alma com a facilidade duma navalha.
Não vi estrela de fogo, mas de sangue. Vermelha e latejante. Um riso sinistro perdido na escuridão.
Não posso mais ver as estrelas do céu. Isso é luto.
Mas ainda tenho essas estrelas meio apagadas e repletas de medo e angustia. Será que são elas que carregam a incerteza? Ou será que sou eu quem tem medo de não ver? De olhar e não ver.
As lagrimas recolhidas, o sorriso e o olhar expressivo... Não, não os vi. Mas ouvi. Captei cada detalhe como antena. Disseram-me tudo isso.  Só fui capaz de ver angustia e lamentação. Sozinha, vi um reflexo de um montão de coisas as quais dificilmente vejo.
Será... Foi real?!Ou só eu vi aquela linda árvore no topo da montanha a tanto tempo atrás?
 Sozinha. Parada. Inerte. Triste (?). Você tem boa memória não é Josh?! Lembra da arvore da montanha? Hã?! Eu não me lembro muito bem. Pensando bem, acho que não a vi realmente... Ou ?

___
Quando puder, grite aos quatros ventos um obrigada de minha parte, sim ?! Sua voz é tão mais forte que a minha.
 Acolha cada uma dessas estrelas... Sou extremamente grata  a elas... E a você Josh. Emoção e racionalidade... (?!)

.
 

15 setembro 2011

Crescer cansa


Josh... Você nunca responde as minhas perguntas, nunca soluciona os meus mistérios. Mas não me importo. Você está aqui... Quase sempre.
Mas mesmo assim ...
É tão difícil esse negócio de crescer, não?! Como você lida com isso hein?! Aff!
Sabe Josh; morro aos poucos. Minha esperança; meu amor.,. Essa maldita síndrome de Peter Pan... AHH!
A cada segundo que passa me sinto mais inútil, mais presa... Mais incompetente.
Será que só eu não sei crescer do jeito certo?! Porque Josh, todo mundo parece lidar muito bem com isso. Todos estão sempre sorrindo, bebendo, transando, cuspindo, escrevendo, dirigindo...  Parece-me loucura!  É isso Josh; estou louca.
As coisas estão cada vez mais difíceis. A faculdade está sendo um tormento. Lá, sou eu e eu. Três degraus na entrada, roleta, mais três degraus. Ando. Quatro degraus novamente. Ando, dobro a esquina, ando e dobro de novo. Aí eu desço cinco. Ando. Uma vala. Dois degraus novamente. Porta. Pego o suporte; desço os dois. Ando; valeta; subo um, abro a porta... E aí fudeu.
Será que alguém percebe que pra mim isso é incrivelmente desgastante? A cada passo tenho que planejar o próximo.
Na biblioteca, no primeiro piso, nem me arrisco ao segundo (mas se não me engano são quinze degraus pra chegar lá), 2 etapas de três degraus. Secretária: Cinco, espaço cinco. O chão do prédio 1 é todo riscado. No começo achei que era escada. Não era. Prédio 3? Aquilo sim é um terror. Pra chegar lá, desço duas rampas. São muitos degraus. Vou na rampa. Por sorte , um elevador. Sempre cheio, então é azar. Daí a cada lance são oito degraus. Cada andar, dois lances. Minha vida é programada.  
Estou me cansando disso. É Josh; crescer não é fácil. Decidir; programar; raciocinar; escolher... Isso porque nem vamos comentar os passos necessários pra atravessar a rua, o número de degraus na entrada do cinema; do consultório médico; da casa da vó; a posição dos livros na biblioteca, dos arquivos no pc...

14 setembro 2011

Josh?!





Suas pupilas dilatadas eram um sinal. Uma pequena e ínfima demonstração de descontrole. E por mais que fosse estranho admitir, eu queria mais. Queria ver o controle esvair. Queria poder... Simplesmente fazer das vontades fraqueza. Queria realizar.
E realizei.
Suas narinas inflaram e a vermelhidão tomou conta do rosto.Mas eu não parei. Num impulso insano gritei. Loucamente gritei. Meus pulmões arderam pelo esforço e a sofreguidão tomou conta do meu corpo. No intimo sabia que a razão nunca fora tão consistente assim. Mas e daí?!
Mãos convulsionavam em busca de apoio. Ele pedia silenciosamente meu apoio.
Não sei o por quê, mas seu desespero se foi tão subitamente quanto começou.
 NUM IMPETO.
E assim... Assim acabaram os suspiros e a vontade. A realização já não plena e as estruturas falhas...
(Morte... ?!)

Nada me parece o bastante.


Ainda assim Josh....


Você me deu tudo o que tinha.
Mas não era o bastante.

 Meus ossos ainda rangem no frio
e minhas lagrimas ainda secam no rosto.
 Você foi bom. Foi muito bom pra mim,
 mas não o bastante.

Sou aquela lagoa cheia de ondas e pouca profundidade.
E sim, a vejo todas as noites da minha janela esquecida e lembro-me do seu sorriso frouxo nas horas de decisão
e também vejo suas mãos apertadas nos momentos de amor.
Desculpe por ousar pedir mais.
Sinto muito mesmo.
Mas não é o bastante.

O rasgo é profundo demais.
Não há agulha e linha o suficiente.
Não há reparação.
Tudo se foi, junto com o vinco em sua testa nas noites quentes.
Seu suor.
Seu corpo rijo diante o meu.
Tantas mãos pra lá e pra cá.
Foi lindo.
Foi bom.
Mas não o bastante.

Os soluços...
O prazer...
Nem mesmo o medo foi o bastante.

Você tinha tudo;
mas faltou o canto dos pássaros na macieira;
 faltou a macieira.
A sombra longínqua.
O tom grave e rouco daqueles gemidos.
Faltou amor.
Faltou a benção das divindades da terra.
 Faltou chuva e trovão.
Desculpe.
 Não foi nada menos do que divino;
foi sublime.
Amo-o. Realmente o faço.
Mas não o bastante.

07 setembro 2011

Sonho de liberdade


Sim Josh, estou tão amedrontada. Ando nostálgica demais. Muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. Mas não há nada a se fazer. Mais dia, menos dia tudo desaba. Prometa ao menos estar comigo quando isso acontecer. Prometa não dar espaço ás loucuras alheias. Seja dono de suas vontades. Sempre. Suas verdades são suas. Prometa?!
(Riso)
Ainda me perguntam o por quê de Josh. Ora, seria impessoal demais desabafar em um diário qualquer. Mas você? Bem, você é parte dos meus sonhos idealizados. Uma parte louca, independente, romântica e livre de mim mesma. E no final de tudo é bom ter alguém com quem eu possa falar sem falsos moralismos e hipocrisias baratas.

Acho que foi um bom começo pra nos dois, não?! E se lá na frente alguém quiser dar pitaco nas nossas infames divagações que dê. Aqui é sempre : Um sonho de liberdade. Um pedaço racional (?) da irracionalidade que é viver. Afinal temos que admitir, a vida é insana...

Essa sou eu Josh...

Poeta


Poetas cantam a vida,
A morte, o luar, o amor e nada mais.
Poetas riem de suas tristezas,
Fazem delas paginas de um diário sem fim,
No qual não discursam, não ensinam,
Apenas escrevem, descrevem.
Apenas são poetas.

Luar de melancólico amor perdido.
Acho que é isso verso de poeta.
A perda, a luz, a vida e o amor.
São essas as razões. Nada mais é preciso.
Poeta é mais que artista,
É homem.
Mais que sábio; escreve e cataloga cada erro para deste não esquecer.
Mais que sensível; julga a si, como carrasco em massacre.
Mais que alma, prepotência, elegância, eloqüência...
Poeta é aquele que de medo ou coragem - não sei,
Aquele que anota, aquele que busca um farol.
Aquele que não se importa olhar a lua,
E dali fazer sua vida,
Fazer lágrimas e risos, fazer seu motivo de amar,
Fazer poesia,
E  dali se bastar.