Demasiadamente amo. Amo quem está aqui e ali... Amo a inconsequente
razão de amar; a aflição e o aperto no peito; o respeito e a devoção. Sim, amo
muitas coisas. E muitas “coisas” me amam também. Aprecio, deleito-me com isso.
É doce, é cruel, é razoável, ou nada feito. Esse é o amor.
Quando pequena uma vez comparei o amor à um caju. Um daqueles poucos que estão vermelhos e convidativos e cheios de vida; porém quando postos na boca... Apertam; apertam; gritam vitória: “Enganei você!”. Comi caju só uma vez na vida, e o bendito nunca mais saiu da minha cabeça. Dentre todas as frutas daquela árvore eu o escolhi. Ali, sozinho, difícil de pegar, majestoso e belo. Nunca mais esqueci. Comi caju uma única vez, nunca mais esqueci. E com o amor acontece o mesmo. Uma única vez e... Esmaga seus sentidos, bloqueia sua fala; atormenta sua consciência e você diz: “Por quê? Eu nem estava com fome, nem nada.” Curiosidade. Plena e arrogante curiosidade. Aí você olha para suas mãos lambuzadas, enruga a testa e nada mais faz sentido. Sim,eu amo muitas coisas. E prefiro pensar que muitas “coisas” me amam também. Só não achei o sentido nisso ainda.

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