Você me deu tudo o que tinha.
Mas não era o bastante.
Meus ossos ainda rangem no frio
e
minhas lagrimas ainda secam no rosto.
Você foi bom. Foi muito bom pra mim,
mas não o bastante.
Sou aquela lagoa cheia de ondas e pouca
profundidade.
E sim, a vejo todas as noites da minha
janela esquecida e lembro-me do seu sorriso frouxo nas horas de decisão
e também vejo suas mãos apertadas nos
momentos de amor.
Desculpe por ousar pedir mais.
Sinto muito mesmo.
Mas não é o bastante.
O
rasgo é profundo demais.
Não
há agulha e linha o suficiente.
Não
há reparação.
Tudo
se foi, junto com o vinco em sua testa nas noites quentes.
Seu
suor.
Seu
corpo rijo diante o meu.
Tantas
mãos pra lá e pra cá.
Foi
lindo.
Foi
bom.
Mas
não o bastante.
Os soluços...
O prazer...
Nem mesmo o medo foi o bastante.
Você tinha tudo;
mas faltou o canto dos pássaros na
macieira;
faltou a macieira.
A sombra longínqua.
O tom grave e rouco daqueles gemidos.
Faltou amor.
Faltou a benção das divindades da terra.
Faltou chuva e trovão.
Desculpe.
Não foi nada menos do que divino;
foi sublime.
Amo-o. Realmente o faço.
Mas não o bastante.
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